A Demolição de um mito

EDUARDO DOMINGOS BOTTALLO
– Professor Associado de Finanças Públicas e Direito Tributário da Universidade de São Paulo;
– Ex-integrante do Tribunal Regional Eleitoral como representante da classe dos juristas;
– Ex-Vice-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo.

O quadro que o nosso País atravessa nos anima a ser profetas, no sentido
de assegurar que vai piorar ainda mais.
De fato, a imprensa diária projeta um quadro que reflete cenário de
crescente piora.
A cada dia, damos conta que hoje estamos de certa forma, pior do que
ontem e melhores que do que amanhã certamente estaremos.
Hoje, por exemplo, dentre as novidades impostas não há dúvida que se
destaca a imponderável carta dirigida a Lula, pela qual Palocci pede sua desfiliação do
Partido dos Trabalhadores. Trata-se, sem dúvida, de o mais virulento ataque
formulado contra o Ex-presidente, por parte de quem, melhor do que ninguém
poderia formular, considerando a participação de ambos no passado, participação
conjunta, fraternal, compreendendo inclusive os dias de glória quando Lula ficou
intencionalmente conhecido como “o cara” inclusive pelo Presidente Obama.
Igualmente chocante é o desmentido tentado por alguns dos que ainda
apoiam o indigitado, alegando ser o acusador fraco, covarde, mentiroso e procurando
com isso desacreditar suas afirmações, taxando-as de destinadas unicamente a
melhorar sua situação perante a lei.
É claro que tanto o acusador como o acusado deste inominável enredo
sabem do que falam: o acusador porque junto com o acusado foram “gêmeos” em
termos de conduta, pelo menos até um ano atrás, vale dizer, durante dois mandatos
do acusado; a isso se soma a conduta dos que agora buscam desmoralizá-lo,
chamando-o de covarde, mentiroso, oportunista, quando é certo que ou foram
cúmplices, ou, no mínimo, assistentes de primeira fila desses malfeitos.
Acrescento que, do ponto de vista pessoal, eu, como a maioria do povo
brasileiro, também temos do que nos envergonhar por haver permitido, com nosso
voto e apoio que esta inominável doença chegasse às dimensões que chegou.
Eu próprio me lembro, em São Bernardo do Campo, dos muitos tijolinhos
que comprei em forma de rifas para assegurar que o PT reunisse fundos para contar
com sua sede.
Do ponto de vista pessoal, advogado e amigo próximo de Celso Daniel,
então Prefeito de Santo André, me vi até tentado a participar de tudo em que
acreditava, pudessem os metalúrgicos, os operários, os profissionais liberais fazerem
pelo País.
Na época, o Prefeito Celso Daniel era muito para assumir as funções que,
depois, couberam a Palocci, não fosse haver sido assassinado em condições que até
hoje permanecem envolvidas por negras sombras.
Por tudo o que depois aconteceu, vejo nesta tragédia, por incrível que
pareça até um ponto positivo, embora sujo de sangue, pois isto não permitiu fosse
picado que Machado de Assis imortalizou em conhecido soneto.
Como se pode ver, são cada vez mais remotas as possibilidades de virmos a
encontrar um final feliz. Que Deus possa lembrar-se de que já foi brasileiro, antes de
tornar-se portenho.

 

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